O findar de um ano é, antes de tudo, um momento de respiração profunda. Quando olhamos para trás, é natural que os olhos se demorem naquelas curvas mais acentuadas da estrada — os tropeços, os dias de incerteza e as expectativas que não se cumpriram. No entanto, há uma beleza silenciosa nessas cicatrizes, pois elas são o solo onde a nossa maturidade floresce. As más experiências do ano que se despede não precisam ser carregadas como fardos, mas sim guardadas como bússolas. Elas nos ensinaram sobre nossos limites, nossas forças e, principalmente, sobre o que não queremos mais permitir em nossa jornada.
É desse reconhecimento que nasce o verdadeiro compromisso. Afinal, a gente só se dedica com alma àquilo que reconhece como valoroso. Quando abraçamos nossos projetos com essa convicção renovada, deixamos de apenas "tentar" para passar a construir. O novo ciclo que se abre é um convite para sermos mais seletivos com nosso tempo e mais generosos com nossos sonhos, filtrando o que é ruído e focando naquilo que realmente faz o coração vibrar e a vida fazer sentido.
Nesse horizonte que se desenha, o Brasil se prepara para viver emoções intensas e distintas. Teremos o pulsar da Copa do Mundo, aquele instante em que a gente se permite a leveza de ser apenas torcida, unindo vozes em um desejo comum, mas entendendo que ali o destino está nos pés de outrem. É uma pausa necessária para a paixão e o entusiasmo. Mas, logo ali ao lado, o ano nos reserva um compromisso de natureza diferente e muito mais profunda: as eleições.
Precisamos lembrar que a nossa ação nas urnas vai muito além do gesto de votar em si; ela começa bem antes, em uma avaliação cuidadosa e atenta. Transformar o país em um lugar mais justo e inclusivo exige que sejamos observadores criteriosos das falas e, principalmente, das ações daqueles que pretendem nos representar. É fundamental entender quem financia essas campanhas e qual ideologia sustenta cada discurso, pois é a ideologia que dita os valores reais que um candidato carrega consigo. Ao olharmos com lupa para essas bases, exercemos uma cidadania consciente que não se deixa levar por promessas vazias, mas que busca coerência e compromisso verdadeiro com o bem comum.
Que neste novo ano possamos ser tão apaixonados pelo nosso futuro quanto somos pelo nosso futebol, abraçando com convicção a chance de escrever uma história melhor tanto para as nossas vidas quanto para o solo que pisamos. Que a nossa esperança seja ativa, informada e que o nosso compromisso com a justiça social seja a nossa maior marca neste ciclo que se inicia.
Que venha 2026!