Deixai vir a mim os pequeninos

Deixai vir a mim os pequeninos

Essa frase, que se tornou um dos maiores estandartes do cristianismo, carrega uma beleza profunda e um convite ao acolhimento espiritual que atravessa gerações. No entanto, é justamente por amarmos e valorizarmos o que há de mais sagrado na infância que precisamos ter a coragem de olhar para as estruturas que cercam nossos filhos quando eles atendem a esse chamado. Em uma análise muito necessária, Aline Câmara nos convida a despertar para algo que muitas vezes ignoramos: a diferença entre a confiança na fé e a segurança institucional que o "deixai vir a mim os pequeninos" deveria garantir, mas que nem sempre a estrutura religiosa oferece.

Precisamos refletir sobre como, em nome de uma autoridade espiritual, por vezes deixamos de exigir as mesmas camadas de proteção que consideramos indispensáveis em qualquer outro setor. Quando levamos um filho ao médico ou à escola, estamos amparados por um sistema de protocolos rigorosos: portas com vidros, a presença obrigatória de acompanhantes em exames íntimos, diplomas certificados por conselhos profissionais e uma fiscalização estatal constante. Existe um rastro de responsabilidade e transparência. Por outro lado, dentro de muitas instituições religiosas, esses limites tornam-se turvos. A ausência de regras claras de conduta e a falta de exigência de uma formação técnica para quem lida com crianças criam um cenário onde o acesso íntimo e o aconselhamento a portas fechadas acontecem sem qualquer supervisão externa, baseando-se apenas em um critério subjetivo de confiança.

A verdadeira empatia com os pequenos passa por entender que a vulnerabilidade deles é absoluta e que o ambiente religioso, por ser um espaço de entrega, deveria ser o mais seguro e transparente de todos. É doloroso admitir, mas a obediência cega e a anulação do pensamento crítico podem deixar nossas crianças sem as ferramentas necessárias para dizer "não" quando algo está errado. Proteger a infância não é um ato de desrespeito à religião, mas sim o maior exercício de amor que podemos praticar. Que possamos aprender a construir espaços onde o sagrado conviva com protocolos claros, onde o cuidado seja visível e onde nenhuma criança fique desamparada sob o silêncio de autoridades inquestionáveis.

Este tema é urgente e nos convoca a uma mudança de postura em favor de quem mais precisa de nós. Para compreender a profundidade dessa análise estrutural e refletir sobre como podemos melhorar nossas comunidades, recomendo o vídeo da Aline Câmara no canal Desperta.

Assista ao vídeo completo: Aqui