As minorias se submetem às maiorias

As minorias se submetem às maiorias

A democracia não é a vitória do mais forte sobre o mais fraco, mas um pacto de convivência. Muita gente confunde maioria absoluta com um direito de silenciar quem pensa diferente. Mas a verdade é que uma sociedade sem minorias protegidas é uma sociedade frágil.

A natureza nos mostra toda sua força através da diversidade, que a permite sobreviver há milênios. No entanto, o homem, induzido pela necessidade de produzir em massa, criou a técnica da monocultura. Um campo infinito de uma única espécie pode até parecer eficiente e organizado, mas é extremamente frágil: como não há variedade, uma única praga ou uma seca mais forte pode fazer o sistema inteiro colapsar.

Já uma floresta nativa é resiliente justamente por ser plural. Nela, plantas de todos os tipos e raízes de diferentes profundidades se entrelaçam para segurar o solo, criando uma rede de proteção que atravessa qualquer crise.

Na política, o princípio é o mesmo: a maioria decide o caminho da gestão, mas é a proteção das minorias que garante que o nosso "solo social" não se torne estéril. Sem a diversidade de ideias e de grupos, a sociedade perde sua capacidade de resistência e se torna vulnerável ao primeiro vento de autoritarismo.

Se a maioria pudesse votar para eliminar os direitos de quem diverge (como a liberdade de crença ou de expressão), não estaríamos numa democracia, mas numa tirania. Defender as minorias não é dar privilégios, é garantir que o "ecossistema" da nossa liberdade continue rico e capaz de sobreviver aos ventos do autoritarismo.

Afinal, a roda da história gira. Hoje você é maioria; amanhã, por sua fé, origem ou opinião, pode ser minoria. Proteger o outro hoje é o único jeito de garantir que o solo estará fértil para todos nós amanhã.